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OKR não é meta com outro nome

Muita gente adota OKR e continua escrevendo metas, só que com outro nome no campo. Os dois instrumentos servem para coisas diferentes.

A diferença que importa

Meta é sobre uma pessoa. OKR é sobre uma área.

Essa distinção parece pequena e muda tudo. Meta você cobra de alguém. OKR ninguém consegue entregar sozinho, e é justamente por isso que ele existe: para alinhar gente diferente em torno de um resultado comum.

Objetivo e resultado-chave

O objetivo é a direção. Ele não precisa ser mensurável, e geralmente é qualitativo. "Tornar o processo de entrega previsível."

Os resultados-chave são como você sabe que chegou lá. Esses precisam de número. Três costumam bastar.

Objetivo

Tornar o processo de entrega previsível para o cliente.

Resultados-chave
  • Reduzir de 9 para 3 dias o desvio médio entre prazo prometido e entrega real
  • Levar a 90% os pedidos com status atualizado em até 24 horas
  • Zerar as entregas que passam do prazo sem aviso prévio

Repare que nenhum dos três é responsabilidade de uma pessoa só. É isso que faz deles OKR e não metas.

O erro mais comum

Escrever como resultado-chave uma tarefa em vez de um resultado.

"Implementar novo sistema de acompanhamento" é uma tarefa. Ela pode ser concluída sem que nada melhore. O resultado-chave seria o efeito que o sistema deveria produzir.

O teste: se você cumprir o item e o objetivo continuar igual, o item estava errado.

Resultado-chave descreve o mundo depois. Tarefa descreve o trabalho durante.

Quando usar cada um

Use meta quando o que você quer depende de uma pessoa e está no controle dela. Desenvolvimento individual, entrega específica, mudança de comportamento.

Use OKR quando o resultado exige várias pessoas e ninguém consegue sozinho. Melhorar um processo, mudar um indicador da área, atingir algo coletivo.

Times pequenos costumam precisar mais de metas que de OKRs. Se a área tem quatro pessoas e todo mundo já conversa o tempo todo, o esforço de manter OKR pode não compensar o alinhamento que ele traria.

Sobre não bater 100%

Na tradição do OKR, bater tudo é sinal de que os resultados-chave foram fáceis demais. O alvo costuma ser 70%.

Isso funciona bem quando o time entende a regra. Funciona muito mal quando alguém é avaliado por não ter batido o que nunca foi para ser batido.

Se você adotar essa lógica, deixe explícito desde o começo. E não misture o resultado do OKR com a avaliação individual, ou o time vai aprender a escrever OKRs seguros.

Um ciclo por vez

Trimestre é o padrão, e faz sentido: tempo suficiente para mudar algo, curto o bastante para não virar plano anual esquecido.

E no fim do ciclo, o que importa não é a nota. É a conversa sobre o que aconteceu: o que travou, o que surpreendeu, o que a gente aprendeu sobre o próprio processo.

Defina o objetivo da área e os resultados que mostram que ele foi atingido.

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