O problema não é a sigla
A ideia de SMART é simples: uma meta só funciona se você conseguir saber, sem discussão, se ela foi atingida.
O que estraga é transformar isso em ritual. A pessoa preenche cinco campos, marca todos, e sai com uma meta que continua vaga porque a sigla foi cumprida no papel e não no conteúdo.
Por que a primeira letra é a difícil
Quase toda meta ruim falha no S, e as outras letras não salvam.
"Melhorar o atendimento em 20% até dezembro" tem número e prazo. Parece SMART. Mas melhorar o quê no atendimento? Tempo de resposta? Satisfação? Quantidade de chamados resolvidos?
Sem responder isso, os 20% não medem nada, porque ninguém sabe 20% de que.
Melhorar a qualidade das entregas da equipe até o fim do semestre.
Reduzir de 12 para 4 o número de entregas devolvidas por erro de dado, até 30 de junho.
O teste de uma frase
Existe um jeito rápido de saber se a meta está boa.
Leia a meta e pergunte: no último dia do prazo, duas pessoas diferentes olhando os mesmos dados chegariam à mesma conclusão sobre se ela foi cumprida?
Se a resposta for não, falta especificidade. E o momento de descobrir isso é agora, não no fim.
Atingível não quer dizer fácil
Tem uma confusão comum aqui. Muita gente escreve metas que já sabe que vai bater, para garantir o resultado.
Isso esvazia o instrumento. Meta que não exige mudança de comportamento não é meta, é previsão.
Atingível significa que existe um caminho possível com o que a pessoa tem. Difícil e possível ao mesmo tempo é onde a meta faz efeito.
Quantas metas por pessoa
Duas ou três por ciclo. Cinco já é lista de tarefas, e lista de tarefas não orienta prioridade.
Se tudo é meta, nada é. E a pessoa acaba escolhendo sozinha o que perseguir, que é exatamente o que a meta deveria ter definido.
Escreva uma meta e passe pelo teste de uma frase antes de salvar.
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