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Enxergar a equipe

Desempenho e potencial são coisas diferentes

O melhor executor nem sempre é o próximo líder. Confundir as duas coisas é como se perde um ótimo profissional e se ganha um gestor infeliz.

A promoção que dá errado

A cena é comum. Alguém entrega muito bem, todo mundo reconhece, e a forma de recompensar isso é oferecer um cargo de liderança.

Seis meses depois, a pessoa está sobrecarregada com reuniões, evitando as conversas difíceis que o papel exige, e sentindo falta do trabalho que fazia. O time perdeu o melhor executor e ganhou um gestor que não queria ser gestor.

Isso não acontece por falta de talento. Acontece porque entregar bem e liderar bem exigem coisas diferentes, e a gente trata as duas como se fossem a mesma escada.

O que cada eixo mede

Desempenho é sobre o presente. A pessoa entrega o que combinou, na qualidade esperada, no prazo? É observável e razoavelmente objetivo. Você olha o trabalho e sabe.

Potencial é sobre o futuro. Se essa pessoa assumisse algo maior ou diferente, ela daria conta? Isso não se mede olhando o trabalho atual, porque o trabalho atual ela já domina.

Confundir os dois

"Ela é a melhor da equipe, então vai ser a melhor coordenadora."

Separar os dois

"Ela é a melhor da equipe. Coordenar exige outras coisas. Ela tem essas outras coisas?"

Os três sinais de potencial

Potencial não é carisma nem tempo de casa. Três coisas aparecem com consistência em quem cresce bem:

1

Aprende rápido em terreno desconhecido. Não é sobre saber. É sobre como a pessoa reage quando não sabe. Ela investiga, pergunta, testa? Ou trava e espera instrução?

2

Busca responsabilidade sem ser empurrada. Assume o que não é dela quando percebe que precisa ser feito. Isso indica que ela pensa no todo, não só na própria fatia.

3

Lida bem com o desconforto de errar. Quem cresce erra mais, porque tenta mais. A pergunta é como a pessoa se comporta depois do erro.

Potencial baixo não é crítica

Essa é a parte que mais gera desconforto. Marcar alguém como potencial baixo soa como julgamento, e não é.

Significa que, pelo que você observa hoje, aquela pessoa provavelmente permanece muito bem onde está. Pode ser porque não tem interesse em outro papel, pode ser porque encontrou onde é excelente, pode ser um momento de vida.

Times precisam de gente assim. Se todo mundo estivesse subindo, ninguém estaria sustentando.

Potencial mede direção, não valor. Uma pessoa de potencial baixo pode ser a mais valiosa da equipe.

O que fazer com quem tem potencial alto

Aqui está o outro erro, o inverso do primeiro. Identificar potencial e não fazer nada com isso.

Quem tem capacidade de crescer e não recebe desafio procura desafio em outro lugar. Não é ingratidão. É o que acontece quando a pessoa percebe que o teto chegou.

Reconhecer potencial gera uma obrigação: dar algo maior para fazer. Não necessariamente promoção. Pode ser um projeto, uma responsabilidade nova, a chance de conduzir algo sozinho.

Como isso muda a conversa

Quando você separa os dois eixos, a conversa de carreira deixa de ser sobre "quando eu subo" e passa a ser sobre duas perguntas independentes.

Você está entregando bem no que faz hoje? E para onde você quer ir, se é que quer ir para algum lugar?

A segunda pergunta é a que quase ninguém faz. E é a que evita promover alguém que nunca quis o cargo.

O Nine-Box cruza os dois eixos e mostra onde cada pessoa está. Leva dez minutos para um time de dez.

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