Por que valores viram decoração
Integridade, excelência, trabalho em equipe, inovação. Essas quatro palavras aparecem em quase toda parede corporativa do país.
O problema não é que sejam ruins. É que ninguém discorda delas. Nenhuma empresa vai dizer que não valoriza integridade, e por isso o valor não distingue nada.
Valor que ninguém discorda não orienta decisão. E valor que não orienta decisão é decoração.
O teste do oposto defensável
Um valor útil tem um oposto que alguma outra empresa poderia legitimamente escolher.
"Velocidade acima de perfeição" tem um oposto defensável: "perfeição acima de velocidade". As duas são escolhas reais, e uma empresa de software e um laboratório de calibração provavelmente escolheriam diferente.
Já "excelência" não tem oposto defensável. Ninguém escolhe mediocridade.
De valor para comportamento
Para um valor virar avaliável, ele precisa descrever o que a pessoa faz, não o que ela é.
Quantos valores
Três a cinco. Uma lista de dez é uma lista de nenhum, porque ninguém decora dez e ninguém decide com dez.
E se dois valores nunca entram em conflito entre si, provavelmente um dos dois é supérfluo. Os valores úteis são justamente os que se contradizem em alguma situação, porque é aí que eles orientam a escolha.
Onde os valores aparecem de verdade
Não é na parede. É em três momentos concretos.
Na contratação, quando você escolhe entre dois candidatos parecidos tecnicamente.
Na avaliação, quando alguém entrega bem mas de um jeito que não combina com o que a equipe defende.
Na decisão difícil, quando dois caminhos são defensáveis e o valor desempata.
Se os valores não aparecem em nenhum desses três, eles não estão em uso.
Escreva os valores como comportamento observável e use na avaliação.
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